Nunca vou esquecer o dia em que vieram me buscar.
Estava ansiosa para ser adotada, pois a maioria dos meus irmãos já o tinha sido e a minha mãe dava sinais de que eu já estava incomodando. Eu tinha 2 meses de idade e meus dentinhos eram afiados e pontudos. Minhas unhas tinham crescido e também estavam afiadas.
Quando eles chegaram fiz de tudo para chamar a atenção, mas a minha irmazinha Petit, que tinha uma mancha branca no peito igualzinha à do meu pai, resultara mais atraente para eles. Entretanto ela tinha o péssimo hábito de morder tudo. Por outro lado, eu não tinha nada que me destacasse, só o meu caráter reservado e a minha educação. Imagino que a minha mãe estava me preparando para ser uma Alpha.
Finalmente percebi que se nada fizesse não seria eu a escolhida, então demonstrei que eu tinha gostado deles e foi assim que me despedi de todos e empreendi a viagem até a nova casa.
No trajeto, fui lembrando de tudo o que tinha vivido até então. Era noite, o carro balançava, os cheiros eram outros e tudo o que eu via através da janela passava muito rápido. Certamente não saberia voltar para a casa em que nasci.
Apesar do colo aconchegante da minha nova doninha, que me acariciava e sussurrava coisas bonitas, bateu uma melancolia gigantesca e começei a chorar. Não de tristeza, mas sim de temor ao desconhecido.
